Mais que um desvio estético, a obesidade vem se tornando um grave problema de saúde pública, atingindo diversas faixas etárias e aumentando de maneira exponencial em decorrência de uma cultura já enraizada. Estudos prevêem que, em 2015, 700 milhões de pessoas serão obesas no mundo, correndo o risco de adquirir graves doenças como dislipidemias, diabetes e problemas cardiovasculares. 
Com a preocupação de reduzir essa tendência, pesquisas têm avaliado um novo grupo de alimentos considerados benéficos à saúde (Esses alimentos, ditos funcionais, segundo a resolução n. 19, de 30 de abril de 1999, instituída pela ANVISA), como a utilização de produtos vegetais consumidos como chás para algumas terapias de perda de peso. 
A Camellia sinensis, é um arbusto de origem asiática da qual obtêm-se os tipos de chás genericamente conhecidos como chá-da-índia ou chá verde, oolong e chá-preto. O chá verde contém várias atividades funcionais, pois possui maior quantidade de substâncias que exercem ações sobre o organismo. Dentre as propriedades do chá verde podem ser citadas: antioxidantes, anti-inflamatória e imunomoduladora (melhora o sistema imune), anticancerígena, termogênica, melhora dos níveis de colesterol e triglicérides.
Alguns autores têm investigado os efeitos do chá verde e do chá preto em vários tipos de cânceres. O chá verde demonstrou ser mais eficaz contra vários tipos de cânceres que o chá preto. O chá verde é capaz de modular a resposta celular de diferentes tipos de tumor à quimioterapia.
Os estudos realizados e em humanos têm demonstrado eficácia da mistura de componentes do chá, que, junto com a cafeína, auxiliaria no gasto energético. Além da redução de peso, a utilização do chá pode ajudar em outros quadros, como na diminuição da concentração de colesterol total e de triglicérides bem como na prevenção da obesidade e das doenças relacionadas
A literatura tem demonstrado a sua ligação com redução de medidas devido a suas propriedades do aumento da termogênese, ou seja, o chá verde aumentaria o gasto energético o que facilitaria a perda de peso. Outro efeito na redução de medidas seria o de inibir o ganho de gordura por diminuir a sua digestão. 
CARDOSO (2011) têm demonstrado eficácia da mistura de componentes do chá com a cafeína para a redução de medidas além da diminuição da concentração de colesterol total e de triglicérides.
Apesar de algumas contraindicações, em virtude da sua composição, o chá verde tem a capacidade de promover inúmeros benefícios à saúde, o que movimenta o interesse por pesquisas sobre seu consumo. Embora ainda haja dados controversos, a maioria dos resultados é satisfatória, indicando que a bebida pode oferecer benefícios ao tratamento de diversas patologias, principalmente da obesidade e do sobrepeso 
Apesar de todos os benefícios do chá verde, é importante lembrar que o fator determinante para a eficácia dos chás está relacionado com uma alimentação equilibrada e exercícios físicos, ou seja, usado de maneira isolada como tratamento da obesidade não são encontrados efeitos significativos.
Na literatura ainda não existe consenso sobre a dosagem específica de do chá verde que poderia beneficiar a saúde humana, sendo importante, por tanto, consultar um especialista para saber a dosagem segura para cada caso específico.

Referências

ALTERIO, A. de A.; FAVA, D. de A.; NAVARRO, F. Interação da ingestão diária de chá verde (Camellia sinensis) no metabolismo celular e na célula adiposa promovendo emagrecimento. Revista Brasileira de Obesidade, Nutrição e Emagrecimento, São Paulo. v.1, n.3, p.27-37, mai/jun, 2007.

CARDOSO, G. A. Efeito do consumo de chá verde aliado ou não ao treinamento de força sobre a composição corporal e taxa metabólica de repouso em mulheres com sobrepeso ou obesas. 2011. 128 f. Dissertação (Mestre em Ciências e Tecnologias de Alimentos) – Departamento de Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, Universidade de São Paulo, Piracicaba, 2011.

FLORIANO, G. P. Uso do chá verde e da eletrolipolise sobre a gordura corporal. 2011. 20 f. Monografia (Pós-graduação em Fisioterapia Dermato Funcional) – Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul, São Geraldo, 2012.

FREITAS, H. C. P. de; NAVARRO, F. Green tea induces weight loss and helps in the treatment of obesity and its comorbities. Revista Brasileira de Obesidade, Nutrição e Emagrecimento, São Paulo, v. 1, n. 2, p.16-23, mar./abr. 2007.

HUGHES, L. et al. Higher dietary flavone, flavonol, and catechin intakes are associated with less of an increase in BMI over time in women: a longitudinal analysis from the Netherlands Cohort Study. The American Journal Of Clinical Nutrition, Bethesda, p. 1.341-1.352. nov. 2008.

ORNELAS, L. H. Técnica dietética: Seleção e preparo de alimentos. 8. ed. São Paulo: Atheneu Editora, 2007.

PELILLO, M. et al. Preliminary investigation into development of HPLC with UV and MSelectrospray detection for the analysis of tea catechins. Food Chemistry, Cesena, v. 78, n. 2, p. 369-374, ago. 2002.

SÁ, R. S. de; TURELLA, T. K.; BETTEGA, J. M. P. R. Os efeitos dos polifenóis: catequinas e flavonóides da Camellia sinensis no envelhecimento cutâneo e no metabolismo dos lipídeos, 2007. TCC (Graduação em Cosmetologia e Estética) – Universidade do Vale do Itajaí, Balneário Camboriú, 2007.

SAITO, S. T. et al. A method for fast determination of epigallocatechin gallate (EGCG), epicatechin (EC), catechin (C) and caffeine (CAF) in green tea using HPLC. Food Science And Technology, Campinas, v. 26, n. 2, jun. 2006.


SENGER, A. E. V.; SCHWANKE, C. H. A.; GOTTLIEB, M. G. V. Chá verde (Camellia sinensis) e suas propriedades funcionais nas doenças crônicas não transmissíveis. Scientia Medica, Porto Alegre, v. 20, n. 4, p.292-300, 2010.

Nenhum comentário: