Determinada dieta
surge como uma filosofia e um propósito específico, e assim acaba caindo no
gosto da população e alguns profissionais aderem sem saber a fundamentação da
prática. Com a dieta detox é a mesma coisa.
Existem várias
definições para o termo dieta detox, talvez o que melhor se encaixa seria a
dieta que elimina toxinas do organismo. Determinada dieta surge como uma
filosofia e um propósito específico, e assim acaba caindo no gosto da população
e alguns profissionais aderem sem saber a fundamentação da prática. Com a dieta
detox é a mesma coisa.
Lembrando que estamos
expostos a estas toxinas diariamente, inicialmente elas passam pela etapa de
absorção e depois serão metabolizadas na la no nosso fígado, é um processo
natural do corpo e acontece constantemente. Assim, se o individuo não ter
nenhuma patologia (doença), não é preciso se preocupar com intoxicações. No
momento sabemos apenas que, de fato, precisamos de uma alimentação saudável e
variada, rica m antioxidantes (frutas, verduras, castanhas), ingestão de água e
estilo de vida saudável, porém, não se comprova que este ou aquele alimento
teria a capacidade de alterar a detoxificação do organismo, processo natural
que ocorre em indivíduos saudáveis. Ressalta – se a importância de levar em
consideração e tomar cuidado com estudos científicos mal desenhados, com
amostras pequenas, o que inviabiliza os resultados. Como a filosofia da dieta
repassa uma orientação de uma alimentação saudável, adicionada a algum modismo
e baixa ingestão energética, ela acabou ganhando adeptos em busca de
emagrecimento rápido. O resultado disso tem sido uma perda de massa magra,
associado a carência de nutrientes, o que a médio prazo trazem conseqüências á
saúde, como o desaceleramento metabólico basal e diversas alterações a nível de
saúde e estética. Dessa forma, acreditamos que a dieta detox é uma estratégia
insustentável, já que não reflete uma redução de peso duradora. O que alguns
estudos apontam é que uma elevada redução calórica promovem uma perda de peso a
curto prazo mas apenas 20% das pessoas que perdem peso dessa forma conseguem manter
– se nele. Isso ocorre porque grandes restrição causam monotonia alimentar,
compulsões e outros transtornos..
Sobre a detox
questiona – se...
- As toxinas são lipofílicas, ou seja, possuem afinidade pelas gorduras e, normalmente, quando metabolizadas e não excretadas, ficam armazenadas no tecido adiposo. Logo, quando o indivíduo emagrece abruptamente, uma grande quantidade de tecido adiposo é oxidada. Sendo assim, as toxinas que estavam associadas a ele, acabam ficando livres no plasma. Ou seja: uma dieta detox para perda de peso, pode ser, em um certo momento, um “intox” para o corpo como um todo, uma vez que a concentração de toxinas no plasma estará elevada.
- As enzimas responsáveis pelo processo natural de detoxificação são formadas por proteínas. Pacientes que restringem o consumo de proteínas (um dos princípios das dietas detox) podem ter deficiências na produção de enzimas que participam do processo natural de detoxificação do organismo e, ao invés da alimentação ser uma aliada ao processo de detoxificação, ela estaria dificultando a realização de tal processo.
- Ao considerarmos que uma dieta detox é rica em frutas, vegetais, água, fibras, temperos naturais e pobre em alimentos industrializados, frituras e doces, nos deparamos com o mesmo conceito de “alimentação saudável”. Não seria mais prudente e coerente (diante da inexistência de respaldo científico que suporte os outros princípios das dietas detox), chamarmos essa “dieta” de alimentação saudável?
- Qual seria o impacto para os indivíduos, ao pensar que para serem saudáveis, precisam fazer uma dieta para detoxificar? Ou seja: em algum momento da vida (ou sempre) estão “intoxicados” e, se não tomarem o suco verde ou o chá detox, estarão “contaminados” ou “poluídos”. Será que este é um pensamento saudável e vai gerar comportamentos saudáveis nesta pessoa?
- É importante que o profissional tenha cautela ao utilizar o termo “detox”É preciso que este profissional sempre considere que o paciente é um ser que vai além dos aspectos fisiológicos e merece receber um atendimento humanizado, que leve em consideração todo o aspecto biopsicossocial e direcione o tratamento para uma mudança de comportamento que signifique respeito ao corpo, prazer e emagrecimento sustentável!

E para você nutricionista...
- Estude bem e cada vez melhor os mecanismos fisiológicos e bioquímicos do corpo humano;
- Escolha estudos bem delineados para pesquisar e direcionar sua conduta! Muitos deles são estudos experimentais (controversos), apresentam amostras pequenas e conflitos de interesses. Além disso, poucos deles são feitos em humanos e os benefícios mostrados não são atribuídos aos alimentos (a maneira como nós nos alimentamos diariamente), mas sim, a um nutriente ou substância isolada (em quantidade e formas químicas normalmente não ingeridas por humanos).
- Leia artigos apenas de bases científicas reconhecidas (Quer um bom conselho? Seja melhor amigo do Pubmed).
- Siga consensos de entidades reconhecidamente científicas e não apenas de organizações com capa educacional, porém com fins lucrativos.
- Considerem o aspecto biopsicossocial dos pacientes, com um olhar voltado ao que permeia o comportamento e o que está ao redor desta pessoa que te procura. É importante sim, avaliar aspectos fisiológicos e alimentares do paciente, mas estes não são os únicos parâmetros que refletem a saúde e o bem-estar de um indivíduo.

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